AUTOBIOGRAFIAS
Anna Valentina
Filha de carioca (mãe) e libanês (pai), vim ao mundo
em um dos lugares mais belos que existem.. o nordeste desse nosso
país maravilhoso, João Pessoa -PB. Aos cinco anos
comecei minhas andanças, meus pais resolveram viver em Brasília
-DF, e juntos fomos começar uma nova jornada... mal entendia
que eu existia, quando, meus pais resolveram se separar. Minha mãe
voltou para o nordeste, meu pai resolveu ficar... em primeiro instante
fui com minha mãe junto com meus irmãos, cerca de
3 anos resolvi voltar e ficar com meu pai. Foi uma vivência
um pouco complicada, não diretamente com meu pai, mas alguns
fatores começaram a dar errado... meu pai conheceu uma mulher
(sua atual esposa), de inicio me dava muito bem com ela, mas aos
poucos depois da união deles os sentimentos foram corroendo.
Nessa época apenas eu, meu irmão mais velho e minha
madrinha morávamos com meu pai... meu irmão e a esposa
do meu pai tiveram algumas desavenças e foi mandado para
fora de casa, a única coisa que me fazia sentir segura era
o fato de minha madrinha morar conosco, ela sempre me protegeu de
todos (mãe, pai, irmãos..). Resolvi então ir
morar com minha mãe que na época foi morar em Santos-SP.
Passei 6 meses em Santos e logo em seguida minha mãe me mandou
para João Pessoa junto com minha irmã (que tinha +/-
1 aninho) e minha madrinha. Depois de mais 6 meses minha mãe
voltou. A cada momento a família ia se desestruturando mais,
meu irmão Camilo (3º filho) e o Matheus (1º filho)
foram morar com meu pai. Sem contar que depois de uns anos por causa
da mesma mulher, meu irmão Matheus foi posto para Fora de
casa, indo então morar na Praia de Pipa/RN. :BoaVista: Quatro
anos em paz com muitos conhecimentos, primeiras paixões,
uma época de descobertas realmente. Um dia minha mãe
foi convidada a ir para Boa Vista/Roraima trabalhar junto ao secretário
de saúde pública. Aceitou! Primeiro foi sozinha para
saber como era a cidade e tentar se estruturar antes de irmos todos.
Eu não queria ir, minha vida estava mais que estruturada
na época. Passados 2 meses fui para Boa Vista, Clarinha minha
irmã ficou com minha madrinha em João Pessoa, não
era nada daquilo que imaginava, pensei que fosse um lugar perdido
no meio da floresta e que não tinha nada. Meu primeiro espanto
foi ao olhar do avião a noite e ver aquela iluminação
toda de cidade grande (estava de noite). Os primeiros meses odiei
estar naquele lugar, não conhecia ninguém além
dos "colegas" da escola que mal conversavam comigo. Depois
fui me soltando (julho/1996), ligava muito para o disk amizade (
145 ), conheci muitas pessoas por lá....risos... menos mal,
pelo menos deixei de me sentir sozinha. Nessa brincadeira de conhecer
pessoas via "internet dos pobres", apareceu um homem,
homem mesmo, na época estava com 38 anos (H.R.G.), eu não
imaginei que fosse ter um papel tão grande dentro da história
da minha vida. Depois de alguns papos pelo telefone resolvemos nos
conhecer pessoalmente, eu já estava muito envolvida com ele,
me sentia segura do seu lado. Minha mãe nunca desconfiou,
não que eu não tivesse feito por onde, acho que a
confiança dela era demais apesar de nunca ter "mentido"
realmente. Até que um dia faltou energia a noite em minha
casa e convidei ele para vir conhecer-la. O susto dela não
foi tão grande quanto eu esperava... aparentemente pareceu
não se preocupar, só que resolveu me mandar para a
Venezuela com um grupo de alunos dela de medicina por uma semana,
consistia em 3 casais e um solteiro... esse era o truque.... a intenção
dela era que eu desistisse dessa história de "homem
mais velho" e me ligasse nesse garoto. Mas não funcionou,
meu coração já desvendava os segredos do que
era estar apaixonada. :Filho: Voltei para o Brasil e continuamos
o namoro, minha mãe já havia desistido de tentar nos
separar e até ficaram grandes amigos. Depois de 4 meses de
namoro, algumas faltas de "dialogo" (acredito eu), estávamos
nos desentendendo quanto ao pensar no futuro. Quando perdi a calma
e brigamos... depois de umas semanas (dez/1996) constatei que estava
grávida de 1 mês, minha mãe de inicio achava
que devia abortar pelo fato de ser muito nova (tinha 15 anos) e
não saber o que queria. Os amigos (médicos) pressionaram
bastante acabaram confundindo a cabeça dela, ao conversar
com meu pai acabou entendendo que de qualquer forma minha cabeça
confundiria, tanto se tivesse, quanto se não tivesse o bebê.
Comecei minha luta, continuamos separados, ele com a vida dele e
sua nova namorada e eu com meu filho e minha família. A escola
em que eu tinha terminado o ano educadamente me convidou me retirar
pois achavam que seria uma má influência aos demais
alunos de minha sala. Como éramos novos na cidade e não
queríamos confusão, não fizemos nada. Pelo
contrario, fui convidada a estudar no OBJETIVO da cidade, onde fui
muito bem recebida e ao contrário da outra escola, apenas
a diretora sabia de minha situação e não comentou
com mais ninguém, pois isso não importava, não
era da conta de ninguém eu estar esperando um filho. Continuei
minha vida, fiz meu pré-natal, estava tudo indo como Deus
queria, sem nenhum problema... Aos 5 meses e meio de gestação,
vimos que eu estava prestes a ter o neném, minha mãe
marcou com meu gineco-obstetra e fui a uma consulta... ele constatou
que eu estava com 7cm de dilatação (o bebê nasce
com 10cm), a primeiro instante ele queria que fizéssemos
uma cesariana pois achava que não tinha mais jeito. Mas minha
mãe junto com a diretora do hospital (que era sua amiga e
também obstetra) decidiram tentar um retardamento no nascimento
de meu filho. Fui internada na única e melhor maternidade
do estado (pública), onde se acontecesse alguma coisa lá
era onde encontraríamos o que precisávamos. Tomando
soro, fazendo exames, passei o dia exausta, minha mãe sempre
ali comigo...(ah se não fosse minha mãe)... esse soro
é que ajudava para que meu neném não nascesse...
mas não resolveu muito. Quando foi na madrugada do dia seguinte,
já estava sentindo contrações e com 8cm de
dilatação... foi então que me prepararam para
ter o neném... Meu filho nasceu com 1,200kg, foi direto para
a UTI. Meu pai chegou no dia do nascimento para acompanhar tudo,
sempre ali do meu lado, querendo me ajudar...não sabe ele
a importância que teve ao estar ali comigo, sempre que precisei.
Depois de 3 dias fui para casa e Pedro ficou no hospital, com todo
o cuidado e carinho necessário... quando a situação
acalmou um pouco e tava tudo progredindo direitinho, meu pai voltou
para Brasília e todos os dias eu e minha mãe íamos
de 3 a 4 vezes ao dia para ver meu neném e levar leite fresquinho...risos...o
leite materno realmente era o melhor alimento para ele. Que também
só começou a tomá-lo a cada gota, depois de
alguns dias na UTI. Eu continuei, não pude parar, tive que
voltar a escola depois de 10 dias que havia tido o Pedro, cada etapa
foi um aprendizado... a equipe da maternidade foi extraordinária,
igual não teria, digo isso porque passou pela cabeça
de meus pais a idéia de levar meu bebê para SP ou mesmo
Brasília... mas graças a deus não o fizeram,
confiamos plenamente. Super atentos, ótimos profissionais,
e além disso, pessoas com um coração enorme,
nos ajudaram muito a enfrentar essa barra... 72 dias na UTI e ao
total 100 dias no hospital, Pedro saiu sem nenhuma seqüela
a não ser por sua pré-maturidade. Final de 1997, aos
7 meses, eu e Pedro fomos para Brasília onde tínhamos
como objetivo maior fazer todos os exames possíveis para
ver se estava tudo bem com ele. Fisioterapias, hidroterapias foram
feitas por mim com a ajuda do *Hospital Sarah Kubishek*, Pude então
ensinar meu filho a observar os objetos, a rolar, a ficar de 4,
a engatinhar, e assim a sentar, falar e andar... três anos
de dedicação e até hoje temos a maior preocupação
com o desenvolvimento dele. Um menino super normal e acima da idade
dele. :SãoPaulo: Ficamos 3 meses em Brasília e logo
minha mãe resolveu vir para São Paulo capital, e junto
conosco veio meu irmão Camilo que há anos estava morando
com meu pai, só que também por desavenças com
sua esposa foi posto para fora de casa. Onde estava meu pai nessas
horas? Não sei, talvez ao auge da paixão. O que não
entendo é como um pai pode se ligar tanto em outra pessoa
ao ponto de deixar essa pessoa tomar conta da situação
e colocar os filhos para fora de casa só por querer o espaço
para ela. A chegada a São Paulo não foi nem um pouco
fácil, minha mãe estava com balão de oxigênio
por causa do cigarro, eu e meu irmão não conhecíamos
nada da nova cidade. A salvação foi que um enfermeiro
amigo de minha mãe de RR veio acompanhando-a até São
Paulo e nos ajudou em tudo. Fiquei muito depressiva, pois achava
que tinha perdido tudo em minha vida, meu ciclo de amizade, o amor
de minha vida, tinha perdido minha liberdade em geral, pois tinha
medo de viver aqui sem ninguém e sem nada. Meu irmão
também estava super deprê e começou a seguir
um caminho não muito certo, e isso fez com que nos desentendêssemos
a cada dia. Confesso que só no inicio deste ano comecei a
adaptar-me, confesso que estou começando a gostar de São
Paulo. A única coisa que me mantinha viva era o fato de estar
mostrando a vida para meu filho, e pelo que já havíamos
passado, não podia simplesmente desistir dessa luta. Continuei
estimulando meu filho a cada dia, voltei a estudar, terminei o segundo
grau, fiz cursos na área de computação gráfica
e estou aqui. 3 anos, uma vida! Começar um novo ciclo de
amizades e lutar pra gostar da nova vida não foi e não
está sendo muito fácil. Não nego que ainda
estou tentando ser feliz aqui (São Paulo-SP), mas tenho fé
que não sai de onde nasci e andei por onde andei para chegar
aqui e não me encontrar.
Anna
Valentina |