BIOGRAFIAS
Abraham Lincoln (1809-1865)
Lembrado como o presidente que emancipou os
escravos de seu país, Lincoln é considerado um dos
inspiradores da moderna democracia e uma das maiores figuras da
história americana. Abraham Lincoln nasceu em Hodgenville,
Kentucky, em 12 de fevereiro de 1809. Filho de lavradores, desde
cedo teve de trabalhar arduamente. Aos sete anos foi para Indiana
com a família, em busca de melhor situação
econômica. Pouco depois perdeu a mãe, e o pai
casou-se outra vez. Devido à dificuldade de encontrar uma
escola no novo domicílio e desejoso de progredir, o jovem
Lincoln pedia livros a amigos e vizinhos para ler depois das
tarefas diárias. Empregou-se numa serraria e mais tarde em
barcos dos rios Ohio e Mississipi. Em 1836, aprovado em exames de
direito, tornou-se um advogado muito popular. No ano seguinte, sua
família mudou-se para Springfield, Illinois, onde Lincoln
encontrou melhores oportunidades profissionais. Casou-se em 1842
com Mary Todd, mulher inteligente e ambiciosa. Início político.
Filiado ao partido whig (conservador), Lincoln, entre 1834 e 1840,
havia se elegido quatro vezes para a assembléia estadual,
onde defendera um grande projeto para a construção
de ferrovias, rodovias e canais. Nessa época, sua atitude
diante do abolicionismo era reservada. Embora considerasse a
escravatura uma injustiça social, temia que a abolição
dificultasse a administração do país. Entre
1847 e 1849, foi representante de Illinois no Congresso, onde propôs
a emancipação gradativa para os escravos, tese que
desagradou tanto aos abolicionistas quanto aos escravistas. Mais
decisiva foi sua oposição à guerra no México,
que o fez perder muitos votos. Sem conseguir se reeleger,
afastou-se da política durante cinco anos. Presidência.
A guerra contra o México ampliara o território da
União e não era possível prever se a população
das novas terras se declararia a favor da escravidão.
Instalou-se uma grande polêmica nacional. Lincoln assumiu
atitude antiescravagista e transformou-se no paladino dessa tendência
após o debate que travou com o senador democrata Stephen
Douglas. Em 1858, candidato ao Senado pelo novo Partido
Republicano, perdeu as eleições para Douglas, mas
tornou-se líder dos republicanos. Em 1860, disputou o
pleito para a presidência da república e elegeu-se o
16º presidente dos Estados Unidos. Guerra de secessão.
Ao iniciar seu governo, em 4 de março de 1861, Lincoln teve
de enfrentar o separatismo de sete estados escravistas do sul, que
formaram os Estados Confederados da América. O presidente
foi firme e prudente: não reconheceu a secessão,
ratificou a soberania nacional sobre os estados rebeldes e
convidou-os à conciliação, assegurando-lhes
que nunca partiria dele a iniciativa da guerra. Os confederados,
porém, tomaram o forte Sumter, na Virgínia
Ocidental. Lincoln encontrou o governo sem recursos, sem exército
e com uma opinião pública que lhe era favorável
somente em reduzida escala. Com vontade férrea, profunda fé
religiosa e confiança no povo, iniciou uma luta que
primeiramente lhe foi adversa. Só conseguiu armar sete mil
soldados, com os quais começou a guerra. Num só ano,
decuplicou o Exército, organizou a Marinha e obteve
recursos. Os confederados haviam consolidado sua situação,
com a adesão de mais quatro estados aos sete sublevados. Em
meados de 1863 chegaram à Pensilvânia e ameaçaram
Washington. Foi nesse grave momento que se travou, em 3 de julho
de 1863, a batalha de Gettysburg, vencida pelas forças do
norte. Lincoln, que decretara a emancipação dos
escravos e tomara outras providências liberais, pronunciou,
meses depois, ao inaugurar o cemitério nacional de
Gettysburg, o célebre discurso em que definiu o significado
democrático do governo do povo, pelo povo e para o povo, e
que alcançou repercussão mundial. A guerra continuou
ainda por dois anos, favorável à União.
Lincoln foi reeleito presidente em 1864. Em 9 de abril de 1865, os
confederados renderam-se em Appomattox. Embora considerado
conservador ou reformista moderado no início da presidência,
as últimas proposições de Lincoln foram avançadas.
Preparava um programa de educação dos escravos
libertados e chegou a sugerir que fosse concedido, de imediato, o
direito de voto a uma parcela de ex-escravos. Inclinou-se também
à exigência dos radicais por uma ocupação
militar provisória de alguns estados sulistas, para
implantar uma política de reestruturação agrária.
Em 14 de abril de 1865, Lincoln assistia a um espetáculo no
Teatro Ford, em Washington, quando foi atingido na nuca por um
tiro de pistola desferido por um escravista intransigente, o
ex-ator John Wilkes Booth. Transportado para uma casa vizinha,
Lincoln morreu na manhã do dia seguinte.
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