BIOGRAFIAS
Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787)
Santo
Afonso Maria de Ligório, bispo, escritor, poeta, musicista, Doutor
da Igreja, foi fundador de uma das mais ativas e numerosas congregações
religiosas: os Padres Redentoristas. Nasceu perto de Nápoles, Itália,
em 1696, filho de uma das mais antigas e nobres famílias de Nápoles.
Do pai herdara uma vontade férrea, inteligência viva e perspicaz,
enquanto que a mãe plasmou seu coração para a fé a bondade. Ainda
pequeno, recebeu do Santo São Francisco de Jerônimo da Companhia
de Jesus, a seguinte profecia: "Esta criança, não morrerá antes
dos 90 anos; será bispo e realizará maravilhas na Igreja de Deus".
Seu pai destinou-o aos estudos das artes liberais, das ciências
exatas, das disciplinas jurídicas, conseguindo Afonso rápidos e
surpreendentes progressos. Aos dezesseis anos anos doutorou-se em
direito civil e eclesiástico e começou a colher louros e triunfos
no foro. Seu pai sentia-se orgulhoso do brilhante futuro que se
abria ao filho e já tinha preparado uma noiva, rica e nobre, mas
no coração de Afonso, já havia a graça divina aberto profundos sulcos,
e inspirado outras rotas de grandeza. Como advogado, já de renome,
recebeu uma causa de grande importância do Duque Orsini contra outro
príncipe, o grão-duque de Toscana. Meticulosamente nosso advogado
estudou o processo, reviu os autos, conferiu documentos. Fez uma
brilhante defesa no foro. A vitória parecia mais que garantida quando
o contra-atacante lhe chamou a atenção para uma pequena falha que
lhe passara despercebida. Afonso reconheceu que se enganara e exclamou:
"Ó mundo falaz, agora eu te conheço! Adeus tribunais!". Este acontecimento
determinou a reviravolta mais profunda de sua vida. O jovem e brilhante
advogado abandonou definitivamente a advocacia para dedicar-se às
causas mais nobres na seara evangélica. Completou os estudos de
teologia e foi ordenado sacerdote aos trinta anos. Esta mudança
custou-lhe renhidas lutas com o pai, que não podia conformar-se
com a escolha feita pelo filho, renunciando aos títulos de nobreza
e à rica herança da família. Mais tarde, ainda com pavor Afonso
recordava dessas horas de combate. Desde então Afonso colocou suas
altas qualidades de ciência e de oratória a serviço de Cristo, dedicou-se
sobretudo à pregação, com o lema: "Deus me enviou a evangelizar
os pobres". Procurava de preferência os pobres Lazaroni e a meninada
abandonada pelas ruas de Nápoles. Muito se mortificava Dom José,
vendo seu filho metido no meio do povinho, desprezível a seus olhos
de fidalgo. Nosso santo não se deixava esmorecer. Passou a morar
no Hospício dos Padres Chineses e pensou seriamente em ir para as
missões pagãs. Entretanto, os planos de Deus terminaram por conduzi-lo
a um convento de irmãs em Scala, perto de Amalfi, para onde foi
por Ter adoecido, e necessitar de repouso. Nesse convento havia
a Irmã Maria Celeste Crostarosa que se destacava por sua virtude.
A 3 de outubro de 1731 revelou-lhe a Irmã a visão que tivera: Afonso
estava designado por Deus para fundar uma Congregação. Começou então
o duelo entre Deus e a humildade do Santo. A luta foi um verdadeiro
martírio para Afonso. A santa Irmã chegou mesmo a intimá-lo: "D.
Afonso, Deus não o quer em Nápoles; chama-o para fundar um novo
Instituto". Resolvido a isso, depois de ter sido orientado pelo
seu confessor Facoia, mais tarde bispo, teve o Santo de enfrentar
tremenda oposição do pai. Este recriminava ao filho dureza de coração
por querer abandoná-lo para meter-se na aventura de fundar um novo
Instituto. Mas a graça venceu, e a 9 de novembro de 1732 fundou
Afonso, em Scala, a Congregação dos Padres Redentoristas, que no
começo tinha o nome de Instituto do SS. Salvador. Os primeiros companheiros
de Afonso eram todos sacerdotes, e logo começaram a dedicar-se à
pregação. Não tardou aparecer desunião nas idéias. Queriam uns que
o Instituto, além da pregação, se dedicasse também ao ensino. Afonso
insistiu na exclusividade da pregação aos pobres, às regiões de
gente abandonada, na forma de missões e retiros. Venceu seu ponto
de vista. Em 1749 o Papa Bento XIV aprovou as Regras do Instituto,
que tinha por fim a imitação de Jesus Cristo e a pregação de missões
e retiros de preferência à classe mais abandonada. À frente de seus
súditos percorreu cidades e vilas do Sul da Itália, convertendo
pecadores, reformando costumes, santificando as famílias. Era um
facho ardente que deixava em chamas de amor divino os lugares por
onde passava. Mais do que sua palavra, pregava o seu exemplo de
virtude, de penitência, de caridade e de santa inocência. As cidades
disputavam Afonso como pregador. Um dia chegou ao seu conhecimento,
que o queriam nomear arcebispo de Palermo. Pediu orações para que
se evitasse "o grande escândalo" desta nomeação. Mas em 1762 o Papa
Clemente XIII impunha-lhe a mitra de Santa Águeda dos Godos. "Vontade
do Papa é a vontade de Deus", disse o santo, e curvou a fronte.
Durante 13 anos pastoreou sua diocese, reformou-lhe o clero, os
costumes, as Igrejas. Outra tornou-se a vida religiosa nos mosteiros
e conventos. Os diocesanos passaram mas viram que tinham um santo
por bispo, quando vendeu até as alfaias, os móveis de seu pobre
palácio, seu anel de bispo, para acudir aos necessitados. Em 1775,
a seu pedido, livrou-o do bispado. Papa Pio VI. O santo patriarca
voltou pobre para o seu convento, e ali mão de Deus o experimentou
e lhe burilou lindas facetas de virtude. Afonso, acabrunhado por
sofrimentos físicos, teve o desgosto de ver a cisão no seu Instituto
e, por mal-entendidos, foi até excluído na Congregação que fundara.
Os últimos anos do Santo são síntese, tudo adversidades inimagináveis.
Das profundezas da sua alma dorida clamava a Deus misericórdia e
auxílio. Em tudo reconhecia a adorável vontade de Deus. Após longo
martírio no corpo e na alma morreu calmamente no Senhor a 1º de
agosto de 1787 na idade de 91 anos. Em 1816 foi declarado beato.
Foi canonizado em 1839 por Gregório XVI. Santo Afonso foi um prodigioso
escritor. Nos seus últimos doze anos de vida, para não faltar ao
programa que se propusera quando jovem, de não perder mais tempos
tempo jamais, dedicou-se à redação de livros, enriquecendo a coleção
de obras ascéticas e teológicas. Deixou para os sacerdotes a sua
célebre Teologia Moral; para os religiosos a Verdadeira Esposa de
Cristo; para o povo cristão, livros cheios de verdadeira e ungida
piedade, tais como as Meditações sbre a Paixão do Salvador, Glórias
de Maria, Visitas ao SS. Sacramento, Tratado sobre a oração. Foi
historiador, apologeta, pregador, poeta e exímio musicista. A devoção
popular muito deve às suas canções por ele escritas e musicadas.
Até hoje no tempo de Natal, é comum escutar o seu "Tu Scendi dalle
Stelle" - Tu desces das estrelas. A Igreja deu-lhe o título de Doutor
zelosíssimo. As obras de Santo Afonso têm a perenidade das fontes
seculares. Reflexões Imitemos Santo Afonso, empregando o nosso tempo
em trabalhos e orações fugindo assim do pecado e do mal emprego
do nosso tempo. Só com a oração e num trabalho com o Cristo encontraremos
a força e a graça para salvar nossa alma e nos santificarmos.
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