BIOGRAFIAS
Afonso Pena (1847-1909)
Defensor
da legalidade, Afonso Pena renunciou ao mandato de deputado em protesto
contra a dissolução do Congresso Nacional pelo marechal
Deodoro da Fonseca. Afonso Augusto Moreira Pena nasceu em Santa
Bárbara MG, em 30 de novembro de 1847. Fez o curso secundário
no Colégio Caraça, dos padres lazaristas, em Minas
Gerais. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo,
em 1870, onde foi colega de Rodrigues Alves, Rui Barbosa e Castro
Alves. Em seguida, doutorou-se e dedicou-se à magistratura,
logo abandonada em favor da carreira política. Foi deputado
provincial e elegeu-se quatro vezes deputado geral, de 1878 a 1889,
pelo Partido Liberal. Durante o governo liberal, a partir de 1878,
foi ministro da Guerra, da Agricultura e da Justiça. Aceitando
a república e desejoso de ver restaurada a ordem civil, tomou
parte na Assembléia Constituinte mineira e foi relator da
constituição estadual. Assim começou sua aproximação
com o grupo republicano. Com o afastamento de Cesário Alvim
da presidência de Minas Gerais, foi eleito para completar
seu mandato. A sede do governo era Ouro Preto, e coube a Afonso
Pena resolver o problema da transferência da capital. O Congresso
escolheu Curral del-Rei, onde, em 1894, teve início a construção
da nova capital, Belo Horizonte. Afonso Pena fundou a Faculdade
de Direito de Minas Gerais, onde foi professor mesmo durante o período
em que governou a província. Ocupou a presidência do
Banco do Brasil, no mandato de Prudente de Morais, e, em 1900, a
presidência do conselho deliberativo de Belo Horizonte, cargo
correspondente ao de prefeito. Apoiou Floriano Peixoto por ocasião
da guerra civil, o que foi importante para a continuidade do governo
federal, mas também deixou claro ao vice-presidente que a
realização de eleições normais era imperiosa.
Essa atitude, prudente mas firme, contribuiu decisivamente para
que a república retornasse à normalidade constitucional.
Com a morte de Francisco Silviano de Almeida Brandão, eleito
mas não empossado, elegeu-se vice-presidente da república
no quatriênio 1902-1906. Em 1905, na sucessão de Rodrigues
Alves, foi escolhido candidato à presidência da república,
com Nilo Peçanha, e elegeu-se sem opositor. Escolheu seu
ministério e logo fez uma viagem de quatro meses por todos
os estados litorâneos brasileiros, para ouvir diretamente
os governos locais e a opinião pública. Afonso Pena
afirmou sua autoridade de chefe com um governo essencialmente presidencialista
e deu toda a ênfase às questões econômicas.
Cuidou do povoamento da terra, com a imigração em
massa; incentivou a indústria, de que a Exposição
Nacional de 1908 é prova significativa; e reformou o sistema
monetário, por intermédio da Caixa de Conversão,
que passou a receber toda moeda estrangeira de curso legal (marcos,
francos, liras, dólares, libras esterlinas). Suas prioridades
foram sanear e colonizar. Realizou muitos empreendimentos ferroviários
e apoiou a obra de penetração de Rondon, encarregado,
em 1907, de ligar por telégrafo a Amazônia à
capital da república. Criou também o Serviço
Geológico e Mineralógico, para pesquisa e aproveitamento
das riquezas minerais do país. Sempre deu mais atenção
à administração do que à política
e essa foi uma das razões da grave crise causada por sua
sucessão, geradora da famosa campanha civilista. Afonso Pena
morreu no ápice da crise, em 14 de junho de 1909, após
rápida enfermidade, no palácio do Catete, no Rio de
Janeiro.
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