BIOGRAFIAS
Alphonsus de Guimaraens (1870-1921)
Poeta
em que devoção e equilíbrio se dão as
mãos desde o início, Alphonsus de Guimaraens foi mestre
de um lirismo místico, em que busca e sublima a amada entre
o luar e as sombras, o amor e a morte. Afonso Henriques da Costa
Guimarães nasceu em Ouro Preto MG em 24 de julho de 1870.
Estudou engenharia e direito. Apaixonou-se por sua prima Constança,
que morreu logo depois. Em São Paulo, colaborou na imprensa
e freqüentou a Vila Kyrial, de José de Freitas Vale,
onde se reuniam os jovens simbolistas. Em 1895, no Rio de Janeiro,
conheceu Cruz e Souza. Foi juiz e promotor em Conceição
do Serro MG. De seus livros, os três primeiros foram publicados
no mesmo ano (1899): Dona mística, Câmara ardente e
o Setenário das dores de Nossa Senhora. Foi escrito antes,
no entanto, o Kyriale (1902), sua coletânea mais representativa.
Seguiram-se Pauvre lyre e Pastoral aos crentes do amor e da morte
(1923). Um dos principais representantes do movimento simbolista
no Brasil, sua obra, de influência francesa (Verlaine, Mallarmé
-- que traduziu), adquire com freqüência acentos arcaizantes
e de envolvente conteúdo lírico, uma vez que o exprime
num misticismo enraizado no fundo da subjetividade e, desse modo,
como uma compulsão do inconsciente. Em ritmo elegíaco
e de solene musicalidade, multiplica a imagem da amada: são
"Sete damas", são "As onze mil virgens",
Ester, Celeste, Nossa Senhora (com quem identifica Constança),
ou a célebre "Ismália". Oscila, assim, entre
os indícios materiais da morte e a expectativa do sobrenatural,
como se toda a sua poesia se fizesse em variações
de um mesmo réquiem. Mas a evolução da linguagem
é permanente e a tendência a um barroco discreto --
de Ouro Preto, Mariana -- se flexibiliza, se inova com acentos verlainianos,
mallarmaicos, de que brotam imagens muitas vezes ousadas, não
longe da invenção surrealista. Alphonsus de Guimaraens
morreu em Mariana MG em 15 de julho de 1921.
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