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BIOGRAFIAS

Anita Malfatti 1896-1964)

Uma polêmica exposição realizada por Anita Malfatti em São Paulo, em dezembro de 1917, foi marco pioneiro da renovação das artes plásticas no Brasil, já que as críticas severas que recebeu serviram para polarizar as forças isoladas do modernismo no movimento que gerou a Semana de Arte Moderna de 1922. Anita Catarina Malfatti nasceu em São Paulo SP em 2 de dezembro de 1896. Com apenas 16 anos viajou para a Alemanha, onde freqüentou a Real Academia de Munique e, como aluna do pintor Lovis Corinth, a Academia de Belas-Artes de Berlim. Nos trabalhos dessa época manifestou a influência do expressionismo alemão e evidenciou sólida formação técnica, independência e originalidade. Após visitar uma exposição de impressionistas e pós-impressionistas franceses, no sul da Alemanha, esteve em Paris, de onde retornou ao Brasil em 1914. Nesse ano realizou em São Paulo sua primeira exposição individual. Depois foi para Nova York, onde estudou na Arts Students League e, com Homer Boss, na Independent School of Art, e conheceu artistas emigrados da Europa, como Marcel Duchamp e Juan Gris. Durante os anos de estudo, segundo suas próprias palavras, viveu "em pleno idílio pictórico" e pintou "simplesmente por causa da cor". Em 1917 regressou a São Paulo e, em dezembro desse ano, realizou a célebre exposição de 53 obras, algumas das quais tornaram-se clássicos da pintura brasileira moderna, como "A estudante russa", "O homem amarelo", "Mulher de cabelos verdes" e "Caboclinha". A arte de Malfatti foi muito atacada na época por Monteiro Lobato, que não via nela mais que caricatura. Mário de Andrade, pelo contrário, identificou prontamente a verve inovadora de Malfatti: "Devo a revelação do novo e a convicção da revolta a ela e à força de seus quadros." Anita Malfatti foi artista convidada da I Bienal de São Paulo (1951) e figurou na mesma mostra, em 1963, com uma sala especial. Fora do Brasil, expôs individualmente em Berlim, Paris e Nova York. Há quadros de sua autoria nos principais museus brasileiros, como o Museu de Arte de São Paulo ("A estudante"), o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo ("A boba") e o Museu Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro ("Uma rua"). Anita Malfatti morreu em São Paulo em 6 de novembro de 1964.

 

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