BIOGRAFIAS
Antônio Vieira (1608-1697)
"Nem
português, nem brasileiro; Vieira era inteiramente jesuíta,"
já disse um autor. O pe. Antônio Vieira nasceu a 6 de
fevereiro de 1608, em uma casa pobre na Rua do Cônego, em
Lisboa, tendo sido um dos mais influentes homens de seu século
em termos de política portuguesa. Seu pai servira a marinha
e fora, por dois anos, escrivão da Inquisição
portuguesa. Seu pai se mudou em 1609 para o Brasil, onde assumiu
um cargo de escrivão em Salvador; em 1614 trouxe a família
para o Brasil quando Antônio tinha 6 anos de idade. Antônio
estudou na única escola de Salvador da época: a dos
jesuítas. Consta que não era um bom aluno no começo,
mas depois tornou-se brilhante. Juntou-se a Companhia de Jesus
como noviço em maio de 1623. Existem muitas lendas sobre
Vieira, incluindo que na juventude sua genialidade lhe fora
concedida por Nossa Senhora e que uma vez um anjo lhe indicou o
caminho de volta à escola quando estava perdido. Quando em
1624 os holandeses invadiram a Bahia, Vieira se refugiou no
interior, onde começaram seus impulsos missionários.
Um ano depois tomou os votos de castidade, pobreza e obediência,
abandonando o noviciado. Não partiu para a vida missionária,
no entanto. Estudou muito além da teologia: lógica,
física, metafísica, matemática e economia. Em
1634, após ter sido professor de retórica em Olinda,
se ordenou. Em 1638 já ensinava Teologia. Apesar de antes
pensar-se que Vieira defendia a posse do Nordeste por Portugal,
hoje sabe-se que ele preferia que Portugal o entregasse a Holanda
apesar de seu famoso sermão em favor da posse (Portugal
gastava 10 vezes mais com o Nordeste do que ganhava e a Holanda
era um inimigo militar muito superior na época). Em 1641
começou a carreira com diplomacia na conturbada Portugal do
século XVII. Quando eclodiu uma disputa entre dominicanos
(membros da inquisição) e jesuítas
(catequistas), Vieira, defensor dos judeus, cai em desgraça,
enfraquecido pela derrota de sua posição quanto à
questão Nordeste. Em 1644 ele deixa Portugal como
embaixador (seu pai, que antes vivia pobre, é nomeado
pensionista real) para negociar com a Holanda a devolução
do Nordeste, com grau de sucesso complexo numa ocasião da
história de Portugal que quase acaba com Portugal como
parte da Holanda. O povo de Portugal não gostava das pregações
de Vieira em favor dos judeus e após estes tempos
conturbados da política portuguesa ele acaba voltando ao
Brasil, onze anos após voltar para a Europa. Fica no
Nordeste algum tempo e volta para a Europa com a morte de D. João
IV, tornando-se confessor da regente D. Luísa. Quando chega
a questão do sucessor de D. João, Vieira fica no
lado perdedor e é desterrado para o Porto, enquanto os jesuítas
têm seus privilégios removidos. A Inquisição
chega a prendê-lo na época após não ter
sucesso em censurá-lo. Novamente no lado mais fraco na época
da deposição de D. Afonso IV, vai ao Vaticano após
meses sem pregar. Encontra o papa à beira da morte e fica
em Roma. Quando em 1671 nova expulsão dos judeus é
feita, Vieira parte na defesa deles. Em 1675 ele é
absolvido totalmente pela Inquisição. No começo
de 1681 volta ao Brasil e volta a pregar. Suas obras começam
a ser publicadas na Europa, onde são elogiadas até
pela Inquisição. Já muito velho e doente, tem
que espalhar circulares sobre sua saúde para manter em dia
sua longa correspondência. Em 1694 já não
escreve do próprio punho. Em 10 de junho começa a
agonia quando perde a voz e acabam-se seus discursos. Em 17 de
junho de 1697 morre. Vieira tem uma obra complexa que exprime suas
opiniões políticas, sendo não propriamente um
escritor mas um orador. Além de seus Sermões existe
o Clavis Prophetarum, seu livro de profecias que nunca acabou.
Entre os sermões exitem dois que são os mais célebres:
o Sermão da Quinta Dominga da Quaresma e o Sermão da
Sexagésima. Vieira também tem uma classificação
complexa quanto a nacionalidade: passou mais da metade de sua vida
no Brasil, o próprio povo, quando ele caía em desgraça,
chamava-o de "Judas do Brasil"; mas foi uma importante
figura para Portugal na política interna e externa, para não
falar na cultura.
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