BIOGRAFIAS
Barão de Mauá (1813 - 1889)
Irineu Evangelista de Souza - Notável
empresário, industrial, banqueiro, político e
diplomata brasileiro nascido em Arroio Grande, município de
Jaguarão, RS, um símbolo dos capitalistas
empreendedores brasileiros do século XIX. Órfão
de pai, viajou para o Rio de Janeiro, RJ, em companhia de um tio,
capitão da marinha mercante e, aos 11 anos, empregou-se
como balconista de uma loja de tecidos. Passando a trabalhar na
firma importadora de Ricardo Carruthers (1830), este lhe ensinou
inglês, contabilidade e a arte de comerciar. Aos 23 anos
tornou-se gerente e logo depois sócio da firma. A viagem
que fez à Inglaterra em busca de recursos (1840),
convenceu-o de que o Brasil deveria caminhar para a industrialização.
Iniciando sozinho a frente do ousado empreendimento de construir
os estaleiros da Companhia Ponta da Areia, fundou a indústria
naval brasileira (1846), em Niterói, RJ, e, em um ano, já
tinha a maior indústria do país, empregando mais de
mil operários e produzindo navios, caldeiras para máquinas
a vapor, engenhos de açúcar, guindastes, prensas,
armas e tubos para encanamentos de água. Da Ponta da Areia
saíram os navios e canhões para as lutas contra
Oribe, Rosas e López. A partir de então, dividiu-se
entre as atividades de industrial e banqueiro. Foi pioneiro no
campo dos serviços públicos: fundou uma companhia de
gás para a iluminação pública do Rio
de Janeiro (1851), organizou as companhias de navegação
a vapor no Rio Grande do Sul e no Amazonas (1852), implantou a
primeira estrada de ferro, da Raiz da Serra à cidade de
Petrópolis RJ (1854), inaugurou o trecho inicial da União
e Indústria, primeira rodovia pavimentada do país,
entre Petrópolis e Juiz de Fora (1854), realizou o
assentamento do cabo submarino (1874) e muitas outras iniciativas.
Em sociedade com capitalistas ingleses e cafeicultores paulistas,
participou da construção da Recife and São
Francisco Railway Company, da ferrovia dom Pedro II (atual Central
do Brasil) e da São Paulo Railway (hoje Santos-Jundiaí).
Iniciou a construção do canal do mangue no Rio de
Janeiro e foi o responsável pela instalação
dos primeiros cabos telegráficos submarinos, ligando o
Brasil à Europa. No final da década de 1850, o
visconde fundou o Banco Mauá, MacGregor & Cia, com
filiais em várias capitais brasileiras e em Londres, Nova
Iorque, Buenos Aires e Montevidéu. Liberal, abolicionista e
contrário à Guerra do Paraguai, forneceu os recursos
financeiros necessários à defesa de Montevidéu
quando o governo imperial decidiu intervir nas questões do
Prata (1850) e, assim, tornou-se persona non grata no Império.
Suas fábricas passaram a ser alvo de sabotagens criminosas
e seus negócios foram abalados pela legislação
que sobretaxava as importações. Foi deputado pelo
Rio Grande do Sul em diversas legislaturas, mas renunciou ao
mandato (1873) para cuidar de seus negócios, ameaçados
desde a crise bancária (1864). Com a falência do
Banco Mauá (1875) o visconde viu-se obrigado a vender a
maioria de suas empresas a capitalistas estrangeiros. Doente,
minado pelo diabetes, só descansou depois de pagar todas as
dívidas, encerrando com nobreza, embora sem patrimônio,
a Biografia de sse grande empreendedor. Ao longo da vida recebeu os
títulos de barão (1854) e visconde com grandeza
(1874) de Mauá.
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