BIOGRAFIAS
Benito Mussolini (1883-1945)
No exercício despótico do cargo de
primeiro-ministro, Mussolini reunificou a Itália, implantou
reformas sociais e restaurou à força a ordem
perturbada por greves e distúrbios. Perdeu-se, no entanto,
pela ambição de construir um império por meio
da guerra de conquista. Benito Amilcare Andrea Mussolini nasceu em
Dovia di Predappio, na província de Forli, em 29 de julho
de 1883, filho de um ferreiro. Começou a trabalhar como
professor, mas logo seu interesse se voltou para a revolução.
Em 1902 mudou-se para a Suíça, numa tentativa de
escapar do serviço militar, mas suas atividades
esquerdistas acabaram por causar sua expulsão do país.
De volta à Itália, esteve em Trento, então
sob o domínio austríaco, onde foi novamente preso e
expulso. Nessa época, suas leituras filosóficas,
especialmente as de Nietzsche, haviam firmado sua crença na
violência como elemento fundamental para a transformação
da sociedade. Nomeado em 1910 secretário do Partido
Socialista em Forli, começou a editar o jornal La Lotta di
Classe. Depois de liderar um movimento operário contra a
guerra turco-italiana, foi condenado a cinco meses de prisão.
Seu prestígio aumentava e em 1911, Mussolini já era
um dos principais dirigentes socialistas da Itália. No ano
seguinte passou a editar o Avanti!, órgão oficial do
Partido Socialista, cuja tiragem fez crescer muito. Em 1914,
sustentou a neutralidade da Itália na primeira guerra
mundial, de acordo com a linha do Partido Socialista. Aos poucos,
porém, passou a defender a França e o Reino Unido e
foi expulso do partido. Fundou então o jornal Il Popolo
d'Itália, no qual continuou a defender a entrada da Itália
na guerra, e organizou os Fasci d'Azione Rivoluzionaria (Grupos de
Ação Revolucionária). Em abril de 1915 voltou
a ser preso. Depois que a Itália declarou guerra à Áustria,
Mussolini foi convocado. Ferido em 1917, voltou a editar seu
jornal, cada vez mais violento no ataque aos socialistas. Em 1919
fundou os Fasci di Combattimento (Grupos de Combate), em Milão.
O novo movimento, de ideologia socialista e nacionalista, pregava
a abolição do Senado, a instalação de
uma nova constituinte e o controle das fábricas por operários
e técnicos. Em 1920, um movimento operário no norte
da Itália foi inicialmente apoiado por Mussolini, que
chegou a propor uma frente comum contra os patrões e os
trabalhadores de extrema-esquerda. Rejeitada a proposta e
contornada a situação pelo governo liberal,
Mussolini capitalizou a seu favor o pânico da burguesia em
relação ao comunismo, e o movimento recebeu vultosas
contribuições pecuniárias. Surgiram as
Squadre d'Azione, milícias anticomunistas, vistas com bons
olhos tanto por liberais como por democrata-cristãos, esta
na época a maior força política da Itália.
Em 1921, Mussolini foi eleito para o Parlamento, e os Fasci di
Combattimento passaram a chamar-se Partido Nacional Fascista.
Depois de organizar em outubro de 1922 a marcha contra Roma, o
Duce, como Mussolini era chamado, recebeu do rei Vítor
Emanuel a incumbência de formar um novo governo, no qual
predominavam, em princípio, liberais e democrata-cristãos.
O Parlamento conferiu a Mussolini plenos poderes. Em 1923 foi
criado o Grande Conselho Fascista e oficializadas as Squadre
d'Azione, com o nome de Milizia Volontaria per la Sicurezza
Nazionale. Em 1925 instaurou-se a ditadura fascista. Todas as
formas de oposição foram suprimidas; os candidatos a
postos eletivos passaram a ser indicados pelas associações
fascistas; as corporações profissionais, diretamente
controladas pelo governo, substituíram os sindicatos; os códigos
judiciários foram revistos; e a polícia ganhou
plenos poderes. Em política externa, as aspirações
de Mussolini foram limitadas na prática pelo reduzido
poderio militar da Itália. Em 1927, ele estabeleceu um
protetorado sobre a Albânia; em 1935 invadiu a Etiópia;
e em 1937 interveio na guerra civil espanhola. Durante a segunda
guerra mundial, sua aliança com Hitler, decidida no auge
das conquistas militares alemãs, permitiu-lhe incorporar
territórios da Iugoslávia. Derrotado na Grécia
em 1940 e na África em 1941, teve sua liderança
repudiada pelo Grande Conselho Fascista em 1943. Destituído
e preso, foi libertado pelos alemães e tentou manter-se no
poder no norte da Itália, mas, já desmoralizado e
isolado, foi preso por partigiani (guerrilheiros) italianos, ao
tentar fugir para a Suíça. Julgado sumariamente, foi
fuzilado com sua amante, Clara Petacci, em Dongo, Itália,
em 28 de abril de 1945. Seus corpos foram pendurados de cabeça
para baixo numa praça de Milão.
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