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BIOGRAFIAS

S. Camilo de Lellis (1550-1614)

São Camilo nasceu no ano de 1550, em Bacchianico, cidade do reino de Nápoles. O dia do nascimento foi o da morte de sua mãe. Na idade de 6 anos perdeu o pai, oficial do exército. Do pai parecia ter-lhe vindo a predileção pela vida militar. Mal soube ler e escrever alistou-se no exército e, moço de 18 anos apenas, tomou parte numa campanha contra os turcos. Gravemente doente, voltou a Roma, onde foi internado no hospital dos incuráveis. A paixão, porém, pelo jogo fez com que o demitissem daquele estabelecimento. Posto na rua, doente, pobre, procurou serviço como servente de pedreiro, trabalhando em seguida numa casa que os capuchinhos estavam construindo. Apesar dos erros cometidos, Deus não o abandonou. Uma conversa que teve com o guardião do convento, abriu-lhe os olhos. Largou do jogo, fez penitência e invocou a misericórdia divina. Camilo tinha então 25 anos. Entrou na Ordem dos Capuchinhos, onde fez o noviciado e passou depois para os Franciscanos. Estes, porém, não lhe consentiram a permanência na Ordem, por causa duma úlcera que tinha no pé, e que pelos médicos fora declarada incurável. Acabrunhadíssimo, dirigiu-se ao hospital de São Tiago, em Roma, onde foi aceito e, por uma feliz circunstância, nomeado administrador do mesmo. Nesta nova posição se dedicou exclusivamente ao serviço dos enfermos. Observando que os enfermeiros assalariados muito mal cumpriam o dever, e os pobres doentes, devido a esta circunstância, sofriam muitos vexames e privações, Camilo começou a ocupar-se com o problema de adquirir enfermeiros que, iguais a ele, tomassem este encargo somente por amor de Deus. A conselho de S. Filipe Nery, organizou uma Irmandade religiosa, cujos membros se obrigavam a tratar dos doentes, sem para isto aspirar a outra recompensa, a não ser a de Deus. Os primeiros poucos irmãos eram leigos, aos quais mais tarde se associaram alguns sacerdotes. Adquiriram uma casa, onde moraram em comunidade. Esta tomou incremento e em bem pouco tempo, Camilo teve necessidade de abrir institutos idênticos na Itália, Sicília e outras partes da Europa. Seguindo ainda o conselho de Filipe Nery e o exemplo de Santo Inácio, apesar de seus 32 anos, voltou ao estudo e recebeu o sacramento da Ordem. Sacerdote, podia, além de médico corporal, ser médico das almas. A bula da canonização enaltece a virtude da caridade, que fez Camilo ser uma verdadeira mãe para os doentes. A caridade chegou-lhe ao extremo por ocasião da peste em Roma. Embora doente e sofrendo dores horríveis no pé, ia de casa em casa, procurando, socorrendo e consolando os pobres doentes. Numerosos são os casos, em que foi visto levando às costas os doentes aos hospital, onde os tratava com o maior carinho. Quando a peste fez entrada em Milão e Nola, Camilo acompanhou-a levando consigo a caridade, que o fez praticar maravilhas de mortificação e zelo apostólico. É de admirar que Deus recompensasse seu servo, dando-lhe diversos dons sobrenaturais, de que este se aproveitou para salvar as almas? Muitos doentes recuperaram a saúde só pela palavra e oração do Santo. Muitos se converteram dos pecados, por lhes ter Camilo mostrado que estes eram a causa da doença, e o perigo de viver em pecado mortal. Camilo era humilde e, por causa da humildade, o homem mais querido em Roma. Chorando sempre os pecados da mocidade, dizia-se indigno de morar entre os homens e merecedor do inferno. Palavras de elogios entristeciam e irritavam-no. Não permitia que o chamassem fundador duma Ordem e depois de 27 anos de Superior, pediu que lhe tirassem este fardo, e o pusessem debaixo da obediência. Camilo era caridoso para com os outros e severo para consigo. Muito doente, sofri muitas dores, mas nunca se lhe ouvia da boca uma palavra de queixa ou gemido de dor. Tendo diante de si seus pecados e o inferno por eles merecido, menosprezava a dor, por mais intensa e cruel que fosse. Gravemente enfermo e desenganado pelos médicos, Camilo recebeu o Santo Viático das mãos do Cardeal Ginnásio, amigo e protetor da Ordem. Vendo a sagrada Hóstia disse, com as lágrimas nos olhos: "Alegro-me por me terem dito que entraremos na casa do Senhor. Reconheço, Senhor, que sou dos pecadores o maios e indigno de receber vossa graça; salvai-me segundo a vossa misericórdia. Ponho a minha confiança nos merecimentos do vosso preciosíssimo sangue". Terminou a vida no ano de 1614, tendo 65 anos de idade. Em 1746 foi canonizado por Bento XIV. S. Camilo é padroeira dos agonizantes.

 

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