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ESPECIAL: Os 12 Apóstolos de Cristo
Jesus Cristo (4 a.C. - 30 d.C.)
Judeu da Galiléia e fundador do
Cristianismo, nascido em Belém, cidade da Judéia
meridional, nos últimos anos do reinado de Herodes o
Grande, quando Roma dominava a Palestina e Augusto era o
imperador. Independente da óptica religiosa, produziu uma
das alterações mais profundas na história das
civilizações, seja como sua imagem de Filho de Deus
ou de moralista sonhador ou de revolucionário. O aparente
paradoxo sobre o ano de seu nascimento deve-se a um erro de datação
atribuído ao monge Dionísio o Pequeno, encarregado
pelo papa, no século V, de organizar um calendário,
e o dia 25 de dezembro foi fixado no ano 440 da nossa era como
data do seu nascimento com o fim de cristianizar a festa pagã
realizada naquele dia. O principal testemunho sobre sua existência
são os quatro evangelhos, base da fé cristã,
onde estão relatadas suas palavras e obras e as reações
de seu povo, escritos originalmente em grego, se bem que o de
Mateus pode provir de um texto anterior, em aramaico,
aparentemente escritos antes do ano 80, exceto o de João,
escrito no final do século I. Esses escritos coincidem
entre si e com relatos de historiadores da época, como o
judeu Flávio Josefo, historiador da corte romana de
Domiciano e o maior dos historiadores romanos, Tácito.
Filho de José, carpinteiro de Nazaré, na Galiléia,
e sua esposa, a Virgem Maria, nasceu quando seus pais estavam em
Belém por causa de um recenseamento. Como a notícia
de que teria nascido aquele que seria o rei dos judeus, e como não
sabia do seu paradeiro, Herodes ordenou uma matança de
todas os meninos de Belém e no seu território, com
até dois anos de idade (Mt 2:16), mas ele escapou da matança
porque seus pais fugiram para o Egito, onde permaneceram até
a morte de Herodes, alguns meses após, quando então
José decidiu regressar com sua família e
estabeleceu-se em Nazaré, e onde Jesus passou a maior parte
de sua vida trabalhando com o pai nas tarefas de carpintaria. Sua
primeira aparição pública, aos 12 anos,
segundo Lucas, deu-se quando a família visitava Jerusalém
e seus pais o encontraram entre os doutores do Templo, ouvindo-os
e interrogando-os. Segundo a tradição, aos trinta
anos encontrou-se, na Judéia, com seu primo João
Batista, filho de Zacarias, famoso na região do Jordão
por pregar o batismo como sacramento de penitência para o
perdão dos pecados, sendo também por João
batizado. Iniciou a pregação da boa nova, o
evangelho para os gregos, ou seja, a realização das
profecias sobre o Messias e a instauração do reinado
de Deus sobre o mundo a partir de Israel. Seguiu-se então
acontecimentos impressionantes como o jejum no deserto, durante
quarenta dias e quarenta noites, o episódio das bodas de
Caná, primeira manifestação do seu poder
divino, a expulsão dos mercadores do templo, a prisão
de João Batista e o episódio da mulher samaritana.
Iniciando sua pregação intinerante e a realização
dos inúmeros milagres, foi da Samaria à Galiléia
e, rejeitado em Nazaré, chegou a Cafarnaum, às
margens do lago Tiberíades ou mar da Galiléia, onde
aconteceu op episódio da pesca milagrosa, e catequizou seus
primeiros apóstolos: Simão Pedro, seu irmão
André e os filhos de Zebedeu, Tiago e João, mais
Filipe e Natanael, ex-discípulos de João Batista.
Aos 31 anos completou seus 12 apóstolos, todos eles
galileus, realizou o famoso sermão da montanha e pregou
suas mais notáveis parábolas, com as quais
transmitia sua doutrina ao povo, aos sacerdotes e a seus
seguidores. No período de seus 32 anos aconteceu a morte de
João Batista por ordem de Herodes Antipas, e os dois
grandes milagres: a multiplicação dos pães e
dos peixes e a ressurreição de Lázaro. Também
neste período ensinou no templo de Jerusalém,
estabeleceu o primado de Simão, a quem chamou Pedro, e em
presença dele, de Tiago e de João, realizou o prodígio
da transfiguração e entrou triunfante em Jerusalém.
À época do seu nascimento, a Galiléia era um
conhecido foco da resistência judia contra Roma. O povo
judaico esperava por um salvador revolucionário e
libertador que recuperasse sua independência política
perdida desde o exílio da Babilônia, no fim do século
VI a. C., e depois de dominados por outros povos, tinham passado
ao poder de Roma (63 a.C). Portanto a sua pregação,
para muitos judeus, estava longe de ser coerente com a missão
divina de ser o rei dos judeus. Aos 33 anos, foi considerado
blasfemo e acusado de conspirar contra o César, quando Tibério
era o imperador de Roma. Aprisionado no horto de Getsâmani,
foi levado até ao pontífice Anás e, ante Caifás,
o príncipe dos sacerdotes, com quem se haviam reunido os
escribas e os anciões, e passou a ser submetido a um
processo religioso. Mais tarde, foi conduzido à residência
do procurador romano da Judéia, Pôncio Pilatos, que
sem entender a revolta da polpulação, o enviou a
Herodes Antipas. Por um gesto político de Herodes, foi
devolvido a Pilatos, que não achando delito nenhum naquele
homem, mas diante à pressão dos chefes de Israel e
de uma multidão incitada por eles, ainda propôs uma
permuta de prisioneiros. Porém a maior parte da multidão
optou pela soltura do prisioneiro político Barrabás
quando da opção de troca proposta pelo governo. Então
pronunciou a sentença da condenação de Jesus à
morte na cruz, depois de declarar-se inocente de seu sangue. De
acordo com as leis romanas, foi flagelado e teve que carregar a
cruz até a colina do Calvário, no monte Gólgota.
Ali foi crucificado junto com dois malfeitores comuns, no dia 7 de
abril (30), com pouco mais de 33 anos de idade.
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