ESPECIAL: Cinema (por Miguel Pellenz)
Ava Lavinia Gardner (1922-1990)
A beleza morena de Ava Lavinia Gardner surgiu em
Hollywood nos anos 40, uma época em que as divas loiras imperavam.
Coroada por críticos, imprensa e cinéfilos a dona do rosto mais
bonito do cinema, era a preferida dos maquiadores, pois a perfeição
do seu rosto facilitava-lhes o trabalho. Filha de camponeses pobres
que ganhavam a vida construindo casas de madeira, Ava nasceu na
véspera de Natal de 1922, em Smithfield, uma comunidade rural no
estado americano da Carolina do Norte. Era a caçula dos sete filhos
de Mary Elizabeth e Jonas Gardner. Aos 17 anos Ava foi visitar Beatrice,
sua irmã mais velha que vivia em Nova York com o marido. Sem maiores
intenções, deixou-se fotografar no estúdio do cunhado Larry Tarr
e uma foto ficou exposta na janela. Um caçador de beldades viu a
foto e logo ela seria convidada para ser modelo e faria um teste
nos estúdios da MGM, o que lhe rendeu o primeiro contrato no cinema
em 1941. Pouco tempo depois, casou-se com o ator Mickey Rooney (As
Pontes do Rio Toko-Ri, 1954, O Corcel Negro, 1979), de quem se separou
depois de um ano e uma semana. O primeiro papel de destaque foi
ao lado de Burt Lancaster interpretando a sensual Kitty Collins
em Os Assassinos (1946). Engatou o segundo casamento, desta vez
com o band-leader e clarinetista Artie Shaw, um colecionador de
atrizes (Lana Turner, Evelyn Keys...). A união não durou mais do
que oito meses. O mais belo animal do mundo, como foi chamada em
uma campanha publicitária, parecia ter encontrado o amor de sua
vida nos mais belos olhos azuis do mundo, os de Frank Sinatra. Casaram-se
em 1951 mas o ciúme de ambos alimentava constantes brigas e levou-os
ao divórcio em 1956. Antes do auto-exílio, Ava foi indicada ao Oscar
de melhor atriz, em 1953, pelo papel em Mogamo, estrelado ao lado
de Clark Gable e Grace Kelly, e protagonizou A Condessa Descalça,em
1954. Depois que deixou os Estados Unidos nunca mais morou no país,
embora aparecesse por lá a trabalho ou em visitas à família. Talvez
preferiu a mudança para ficar longe de Sinatra, ou talvez por ter
sido vítima do Macarthismo, perseguição aos comunistas ordenada
pelo general americano MaCarth, nos anos 50, no auge da Guerra Fria.
Depois que sua carreira declinou nos anos 60, a bela Ava mudou-se
para Londres, onde passou seus últimos dias, quase anônima, e freqüentemente
bêbada. Nunca mais se casou nem teve filhos. Em 1990, aos 68 anos,
morreu por causa de uma pneumonia e foi enterrada na terra natal
Smithfield, onde hoje existe um memorial em sua homenagem.
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