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ESPECIAL: Coletânea Adinalzir (por Adinalzir Pereira)

Noel Rosa (1910-1937)

Noel de Medeiros Rosa, cantor, compositor, bandolinista e violonista. Nasceu em 11/12/1910 , Rio de Janeiro, RJ - Faleceu em 04/05/1937, Rio de Janeiro, RJ. O pai, Manuel Garcia de Medeiros Rosa, era comerciante, e a mãe, Martha de Medeiros Rosa, professora. O único irmão, Hélio de Medeiros Rosa, era 4 anos mais novo. Proveniente de uma família de classe média baixa, Noel carregaria pelo resto de sua vida as marcas de um parto forçado que lhe causara fratura e afundamento do maxilar inferior, além de ligeira paralisia facial no lado direito do rosto. Foi operado aos 6 anos e, aos 12, colocou uma prótese. De 1913 a 1928 Noel estudou no tradicional colégio São Bento. Nessa época, por mau gosto dos colegas, recebeu o apelido de "queixinho". Aos 13 anos aprendeu a tocar bandolim de ouvido, com a mãe, fato marcante em sua vida, pois a partir daí, percebera que a sua grande habilidade instrumental tornava-o importante diante de outras pessoas. Do bandolim para o violão, foi um passo. Em 1925, dominava completamente o instrumento, participando ativamente das serenatas do bairro. Enquanto Noel ensaiava os primeiros acordes musicais, estava em voga a música nordestina e os conjuntos sertanejos. O garoto logo se interessou pelas canções, toadas e emboladas da época. Acompanhando a novidade, um grupo de estudantes do Colégio Batista e mais alguns moradores do bairro de Vila Isabel formaram um conjunto musical, denominado "Flor do Tempo". Reformulado para gravar em 1929, o grupo passou a se chamar "Bando de Tangarás". Alguns de seus componentes se tornariam mais tarde grandes expoentes de nossa música: João de Barro, Almirante, e Noel, que já era um bom violonista. Ainda em 1929, compôs as suas primeiras músicas. Dentre elas a embolada Minha viola e a toada Festa no céu. Em 1930, conheceu seu primeiro grande sucesso Com que roupa, apresentado em espetáculos do Cinema Eldorado. Já se podia notar sua veia humorística e irônica, além da crônica da vida carioca, marcante em toda a sua obra. Em 1931 ainda compunha músicas sertanejas como Mardade de cabocla e Sinhá Ritinha, optando depois definitivamente pelo samba. Em apenas 8 anos de atividade compôs 259 músicas e teve mais de 50 parceiros. Em 1931 entrou para a faculdade de Medicina, sem, no entanto, abandonar o violão e a boemia. O samba falou mais alto pois largou o curso meses depois. A partir de 1933 travou a famosa polêmica musical com o compositor Wilson Batista. Nesse mesmo ano conheceu sua futura esposa, Lindaura, que quase lhe deu um filho: ao cair de uma goiabeira no quintal de sua casa, Lindaura perdeu o bebê. Apesar de fortes problemas pulmonares, Noel não largava a bebida e, com bom humor e ironia, formulou uma teoria a respeito do consumo de cerveja gelada. Segundo ele, a temperatura fria da cerveja acabava paralisando os micróbios, livrando-o da tosse. Com isso, ia ludibriando os amigos e a si mesmo. Por essa ocasião Noel precisou transferir-se para Belo Horizonte devido à lesão pulmonar que o acometera subitamente. A capital mineira tornara-se o local ideal para o tratamento prolongado. Lá não havia bares, nem botequins ou as estações de rádio que Noel freqüentava tanto. A viagem à capital mineira surtiu efeito temporariamente; Noel havia engordado 5 quilos e apresentava sinais de melhora. Entretanto, a boemia falou mais alto. Não tardaria muito para que o compositor descobrisse os segredos da vida noturna da capital mineira, entregando-se novamente às cantorias e bebedeiras. Noel e a esposa estavam instalados na casa de tios que, ao descobrirem as saídas noturnas às escondidas de Noel, mandaram o casal de volta ao Rio. Nos últimos meses de 1936, Noel não mais saía, preferindo evitar as pessoas, sobretudo as que o questionavam sobre o seu estado de saúde. A única pessoa que o poeta visitava era o sambista e compositor Cartola, lá no morro. No início de 1937, numa outra tentativa de recuperação, Noel e Lindaura rumaram para Nova Friburgo, em busca do ar puro da montanha. Em vão, pois Noel se deprimia, sentindo falta da Vila Isabel. Ao voltar para o Rio, a doença já havia o tomado por inteiro; sentia-se fraco, melancólico, apático. Alguns amigos sugeriram-lhe que passasse uns tempos na tranqüila cidade de Piraí (RJ). Mais uma vez, o casal partiu rapidamente, mas, certa noite, Noel sentiu-se muito mal, tendo que retornar às pressas para casa. Já se sabia que o poeta se encontrava em fase terminal. Na noite de 4 de maio deste mesmo ano, nos braços de Lindaura, em seu quarto no chalé, Noel veio a falecer de tuberculose aos 26 anos de idade. A notícia não pegou ninguém de sobressalto, pois, a essa altura, a sua morte já era dada como certa. Principais sucessos : Adeus, Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco Alves, 1931 A.E.I.O.U.,Noel Rosa e Lamartine Babo, 1931 Até amanhã, Noel Rosa, 1932 Cem mil réis, Noel Rosa e Vadico, 1936 Com que roupa?, Noel Rosa, 1929 Conversa de botequim, Noel Rosa e Vadico, 1935 Coração, Noel Rosa, 1932 Cor de cinza, Noel Rosa, 1933 Dama do cabaré, Noel Rosa, 1934 De babado, Noel Rosa e João Mina, 1936 É bom parar, Noel Rosa e Rubens Soares, 1936 Feitiço da Vila, Noel Rosa e Vadico, 1936 Feitio de oração, Noel Rosa e Vadico, 1933 Filosofia, Noel Rosa e André Filho, 1933 Fita amarela, Noel Rosa, 1932 Gago apaixonado, Noel Rosa, 1930 João Ninguém, Noel Rosa, 1935 Minha viola, Noel Rosa, 1929 Não tem tradução, Noel Rosa, 1933 O orvalho vem caindo, Noel Rosa e Kid Pepe, 1933 O x do problema, Noel Rosa, 1936 Palpite infeliz, Noel Rosa, 1935 Para me livrar do mal, Noel Rosa e Ismael Silva, 1932 Pastorinhas, Noel Rosa e João de Barro, 1934 Pela décima vez, Noel Rosa, 1935 Pierrô apaixonado, Noel Rosa e H. dos Prazeres, 1935 Positivismo, Noel Rosa e Orestes Barbosa, 1933 Pra que mentir, Noel Rosa e Vadico, 1937 Provei, Noel Rosa e Vadico, 1936 Quando o samba acabou, Noel Rosa, 1933 Quem dá mais?, Noel Rosa, 1930 Quem ri melhor, Noel Rosa, 1936 São coisas nossas, Noel Rosa, 1936 Tarzan, o filho do alfaiate, Noel Rosa, 1936 Três apitos, Noel Rosa, 1933 Último desejo, Noel Rosa, 1937 Você só...mente, Noel Rosa e Hélio Rosa, 1933

Fonte: www.feranet21.com.br

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