ESPECIAL: Deuses do futebol brasileiro (por Jaime B. Cosmo)
Didi (1929-)
Até surgir o garoto PELÉ ele foi o maior jogador de todo o Brasil
senão do mundo disputando palmo a palmo o titulo com Di Stéfano
por toda a década de 50, Valdir Pereira nascido em 08/10/1929 e
que ficou mundialmente conhecido como "Didi" foi o quarto grande
nome a surgir como o grande craque no futebol brasileiro assumindo
o manto de Zizinho, mas por pouco o mundo não foi privado deste
artista da bola pois por muita sorte ele não amputou a perna aos
14 anos quando levou um pontapé no joelho direito, com medo de ser
proibido de continuar nas peladas ele escondeu o ferimento e a lesão
desenvolveu-se em uma perigosa infecção que o colocou durante meses
em uma cadeira de rodas, dois anos depois estava no Americano de
Campos iniciando a carreira mas ficou pouco e no mesmo ano foi para
o Lençoense de São Paulo, no ano seguinte voltou ao Rio de Janeiro
para atuar no Madureira e de lá foi para Fluminense onde atuou por
quase dez anos vencendo seu primeiro carioca, mas foi quando passou
a jogar no Botafofo que Didi iniciou sua coleção de títulos em duas
passagens (56 a 58 e depois em 61 e 62) venceu três cariocas e dois
mundiais pela seleção Brasileira, o dinheiro graúdo oferecido pelos
espanhóis o levou à três anos no Real Madrid na época o todo poderoso
do futebol mundial pois o Santos de Pelé e Cia. ainda não havia
despontado para o mundo, onde não se deu bem em um time onde Dí
Stéfano e Puskas davam as cartas, contudo essa que foi a maior decepção
de sua vida não lhe levou à depressão, voltou ao Botafogo venceu
mais dois títulos e na copa do mundo de 62 enfrentou a Espanha de
seus desafetos de Real Madrid e ajudou o Brasil a desclassifica-la...,
pessoas que o viram jogar muitas vezes dizem que ele era tão completo
quanto e em muitos quesitos superior a PELÉ e só não é o maior do
mundo por uma questão de mídia já que atuou em uma época em que
não havia televisão e por não ser um artilheiro como ele tanto que
em quase vinte anos de carreira sequer se encontra entre os 50 maiores
artilheiros do país e pela seleção fez apenas 21 gols em 74 jogos,
contudo sua elegância em campo, seu dribles dissimulados e passes
precisos somados à altivez com que seu corpo mulato conduzia a bola
levou-o a receber a alcunha de "O Príncipe Etíope", inventou uma
forma de bater faltas que foi chamada de "folha-seca" pois batia
na bola de uma forma que ela subia em uma velocidade e repentinamente
descia em outra superior enganando o goleiro, sua arte e maestria
em campo foram únicas e há outro detalhe Didi reinou em uma época
onde haviam muitos rivais pelos campos do mundo tais como os franceses
Kopa e Fontaine, os húngaros Czibor e Puskas, o argentino Dí Stéfano,
mas o bicampeonato mundial da seleção brasileira em 1958/62 é impensável
de ser considerado sem a figura de Didi, sua soberania e comando
sobre os demais jogadores eram fundamentais para a coesão da equipe,
pra se ter uma idéia em 1958 assim que a Suécia abriu o placar e
o estádio lotado sorriu pelo provável título Didi foi até o fundo
do gol, recolheu a bola e atravessou o campo com ela embaixo do
braço pedindo calma a todos os companheiros, quatro minutos de pois
o Brasil empatava o jogo e abria caminho para o título e Didi era
eleito o melhor jogador daquela copa, fato que se repetiu em 1962
quando já veterano, vindo de uma passagens frustrada na Espanha
mas de dois títulos cariocas ele liderou a equipe ao bicampeonato,
com certeza sua conduta firme foi grande influência para o garoto
e futuro rei do futebol Pelé na época com apenas 17 anos, sendo
assim nada mais justo que Didi seja realmente o príncipe do futebol
brasileiro pois poucos tiveram no trato com a bola tanta nobreza.
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